O produto MERGE consiste em combinar a precipitação observada com estimativa de precipitação por satélite e correções de erros sistemáticos nas estimativas (Rozante et al., 2010). A nova base do produto de precipitação MERGE foi gerada a partir de três mudanças importantes que contribuíram para sua atualização. O aumento expressivo na quantidade de dados observacionais disponíveis, viabilizado por uma parceria com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), ampliou significativamente a representatividade e a confiabilidade das estimativas. Com essa ampliação, também foi adotada a versão V07B do produto Integrated Multi-satellitE Retrievals for GPM (IMERG-GPM), da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (NASA), em substituição à versão V06B, descontinuada. A nova versão apresenta melhorias relevantes para a América do Sul, especialmente sobre o Brasil, conforme descrito em Rozante (2024). Além disso, o processo de controle de qualidade dos dados foi aprimorado, garantindo maior consistência e precisão nas informações fornecidas pelo produto.
Precipitação Diária
MERGE
Dados observados
Precipitação Acumulada
7 dias
15 dias
Monitoramento Mensal
Mês anterior
mês atual
Climatologia
mês anterior
mês atual
Dias sem precipitação
Número de dias sem precipitação
Número de dias consecutivos sem precipitação
Avaliação do produto
A imagem ao lado mostra a distribuição espacial da climatologia das precipitações no Brasil com base nos dados MERGE.
Região R1 (azul): Localizada no sul do Brasil, apresenta precipitações bem distribuídas ao longo do ano. Os sistemas que a influenciam incluem frentes frias, o sistema convectivo de mesoescala (MCS), a Zona de Convergência do Atlântico Sul (SACZ) e a corrente de jato de baixa altitude.
Região R2 (verde): Cobrindo a maior parte do Brasil, esta região tem um regime de monções claro, com maior precipitação no verão (DJF) e menor precipitação no inverno (JJA).
Região R3 (preto): A região mais seca, localizada no interior do Nordeste do Brasil, tem precipitação máxima no verão e mínima no inverno. Os principais sistemas são a Zona de Convergência Intertropical (ITCZ) e os vórtices ciclônicos de nível superior.
Região R4 (laranja): Na costa nordeste, esta região tem precipitação máxima no Inverno e mínima no Verão. Os sistemas que a influenciam incluem a ITCZ, MCS tropical, ventos alísios, vórtices ciclônicos de nível superior, ondas de leste e circulação de brisa marítima.
Região R5 (vermelho): Localizada no norte da Amazônia, esta região é influenciada pela ITCZ, linhas de tempestade tropical e ventos alísios.

Figura 1 – Distribuição espacial da climatologia da precipitação (1998–2016) com base nos dados MERGE para as cinco regiões identificadas, para cada quadrícula de aproximadamente 2 graus.

Figura 2 –Equitable threat score (ETS) para MERGE (preto), CoSch (azul), GSMaP-G (vermelho), IMERG-F (verde), TMPA-V7 (roxo) para as regiões R1 (a), R2 (b), R3 (c), R4 (d). Figura adaptada de Rozante et al. (2018)
O desempenho das estimativas de precipitação obtidas a partir dos algoritmos CoSch e MERGE é avaliado para cinco regiões do Brasil caracterizadas por regimes de precipitação distintos. O período de análise é de quatro anos, de 26 de junho de 2014 a 25 de junho de 2017. A precipitação acumulada em 24 horas para as regiões R1, R2 e R5 é bem representada por CoSch e MERGE. No entanto, para R3 e R4, onde a rede de observação é densa, apenas o MERGE representa bem a precipitação ao longo do período de estudo; em contrapartida, o CoSch não consegue captar efetivamente os padrões de precipitação de abril a novembro, durante os quais o regime de precipitação é dominado por nuvens quentes. As nuvens quentes são subestimadas pelos sensores de satélite (Rozante et al. 2018; Zeng et al. 2018) e, consequentemente, afetam diretamente os resultados do CoSch, uma vez que o algoritmo CoSch depende da remoção de vieses aditivos e multiplicativos. O MERGE não parece ser afetado por essa deficiência do satélite em regiões com alta densidade observacional, o que provavelmente está relacionado ao fato de que o MERGE recupera informações de sensores nas proximidades das observações existentes e interpola apenas dados observacionais.
Os resultados obtidos até agora, também demonstram que o produto do CPTEC tem um desempenho melhor do que os produtos globais e com uma latência reduzida.
Mais informações:
Rozante, J. R., D. S. Moreira, L. G. G. de Goncalves, and D. A. Vila, 2010: Combining TRMM and Surface Observations of Precipitation: Technique and Validation over South America. Wea. Forecasting, 25, 885–894, DOI: 10.1175/2010WAF2222325.1. (link alternativo)
Rozante, J. R., Gutierrez, E. R., Fernandes, A. de A., & Vila, D. A. (2020). Performance of precipitation products obtained from combinations of satellite and surface observations. International Journal of Remote Sensing, 41(19), 7585–7604, DOI: 10.1080/01431161.2020.1763504. (link alternativo)
Rozante, J.R.; Rozante, G. IMERG V07B and V06B: A Comparative Study of Precipitation Estimates Across South America with a Detailed Evaluation of Brazilian Rainfall Patterns. Remote Sens. 2024, 16, 4722. DOI: 10.3390/rs16244722.
Rozante, J. R. Produto de precipitação MERGE. Versão 26/05/2025.
Citação
Rozante, J. R., D. S. Moreira, L. G. G. de Goncalves, and D. A. Vila, 2010: Combining TRMM and Surface Observations of Precipitation: Technique and Validation over South America. Wea. Forecasting, 25, 885–894, DOI: 10.1175/2010WAF2222325.1.

