Acompanhar a qualidade da água de grandes reservatórios ficou mais fácil. Mapas de clorofila-a e de ficocianina da Cascata do Rio Tietê (SP), gerados a partir de imagens dos satélites europeus Sentinel-2/MSI e Sentinel-3/OLCI, estão disponíveis de forma aberta e gratuita no catálogo STAC e no GeoServer do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Os produtos são do MAPAQUALI, projeto do Laboratório de Instrumentação de Sistemas Aquáticos (LabISA) do INPE que transforma imagens de satélite em informação sobre a qualidade da água, com processamento operacional e documentado. Os mapas interessam a gestores, pesquisadores, empresas de saneamento, órgãos ambientais e a quem acompanha os reservatórios do Tietê.

O que está disponível
- Clorofila-a (Sentinel-2/MSI): principal pigmento do fitoplâncton e indicador clássico de biomassa de algas e de eutrofização. Com resolução de 20 metros, os mapas mostram diferenças entre braços, margens e o corpo central de cada reservatório. Ver a coleção no STAC.
- Ficocianina (Sentinel-3/OLCI): pigmento característico das cianobactérias, responsáveis por florações potencialmente tóxicas. Com imagens quase diárias, a 300 metros de resolução, o produto permite acompanhar a evolução das florações. Ver a coleção no STAC.
Os mapas cobrem os seis reservatórios da cascata (Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão, Nova Avanhandava e Três Irmãos).
Dados disponíveis
Os algoritmos foram desenvolvidos por pesquisadores do LabISA e colaboradores, com dados de campo dos próprios reservatórios:
- clorofila-a: método híbrido de Cairo et al. (2020), que identifica o estado trófico de cada pixel e aplica a fórmula mais adequada àquela condição. Em validação com medições feitas pelo LabISA em 2025 na cascata, no mesmo dia da passagem do satélite, a correlação entre mapa e campo foi de 0,76;
- ficocianina: método híbrido de de Lima et al. (2025), em que um classificador de aprendizado de máquina separa os pixels por faixa de concentração e cada faixa recebe o modelo mais apropriado. Uma validação adicional na cascata, com dados de 2023 e 2025, apresentou erros semelhantes aos do estudo original.
Antes da estimativa, as imagens passam por correção atmosférica e pela remoção de nuvens e de áreas que não são água. Assim, só pixels válidos de água entram nos mapas.
Dados prontos para análise
Cada data das coleções traz um arquivo de dados georreferenciado, pronto para o QGIS, Python, R e outras ferramentas, que permite calcular estatísticas, montar séries temporais e cruzar as estimativas com outras bases. Traz também uma imagem de pré-visualização que abre direto no navegador. Na coleção de clorofila-a, essa imagem é um mapa completo, com escala de cores em µg/L, data, escala gráfica e áreas sem dados, útil para consultas rápidas, apresentações e relatórios.
As coleções seguem o padrão internacional STAC, com metadados que identificam o sensor, o algoritmo e a referência científica de cada produto.
Como acessar
- STAC Browser: pelos links das coleções acima, navegue pelas datas, visualize os mapas e baixe os arquivos.
- GeoServer: abra as camadas pelo serviço WMS do GeoServer do INPE em aplicações compatíveis, como o QGIS.
- Portal MAPAQUALI: explore os produtos de forma interativa no Portal MAPAQUALI.
Métodos e referências estão na página MAPAQUALI — Parâmetros de Qualidade de Água, no Portal de Dados Geoespaciais do INPE.
E vem mais por aí
A Cascata do Tietê é só o começo. O MAPAQUALI foi pensado para crescer, e o objetivo é levar os produtos de qualidade da água a todo o território brasileiro, com novas regiões e novos parâmetros à medida que forem desenvolvidos e validados.