Saúde Ambiental
A poluição do ar consiste na presença de contaminantes na atmosfera em níveis capazes de causar danos à saúde humana. A exposição ocorre principalmente pela respiração, permitindo que partículas e gases atinjam os pulmões e, em alguns casos, a corrente sanguínea.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a poluição do ar como uma das principais ameaças à saúde global e estabelece diretrizes de qualidade do ar com valores de referência voltados à proteção da saúde. Estima-se que a maior parte da população mundial esteja exposta a níveis de poluentes acima desses limites recomendados.
A exposição aos poluentes atmosféricos pode desencadear inflamação, estresse oxidativo e alterações no sistema imunológico, afetando diversos órgãos e sistemas do corpo humano.
Os poluentes com maior relevância para a saúde pública incluem o material particulado (MP₂.₅ e MP₁₀), ozônio (O₃), dióxido de nitrogênio (NO₂), dióxido de enxofre (SO₂) e monóxido de carbono (CO). Esses poluentes são contemplados nas Diretrizes Globais de Qualidade do Ar da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomendam valores de referência para proteção da saúde.
O material particulado fino (MP₂.₅) é considerado um dos poluentes mais críticos para a saúde. Devido ao seu pequeno diâmetro, inferior a 2,5 micrômetros, essas partículas conseguem penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea, podendo atingir diferentes órgãos do corpo.
A exposição ao MP₂.₅ está associada ao aumento do risco de doenças respiratórias e cardiovasculares, câncer de pulmão e mortalidade prematura. Esses efeitos podem ocorrer tanto em exposições de curto prazo, com agravamento de sintomas e doenças preexistentes, quanto em exposições prolongadas, com impacto no desenvolvimento de doenças crônicas.
Os efeitos da poluição do ar variam conforme a intensidade e o tempo de exposição, podendo ocorrer tanto em curto quanto em longo prazo.
Efeitos de curto prazo
- Irritação nos olhos, nariz e garganta
- Tosse seca, chiado e dificuldade para respirar
- Dor de cabeça e cansaço
- Agravamento de asma, bronquite e rinite
- Aumento de infecções respiratórias
Efeitos de longo prazo
- Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
- Doenças cardiovasculares
- Acidente vascular cerebral (AVC)
- Câncer de pulmão
- Complicações na gestação (baixo peso ao nascer, parto prematuro)
- Alterações no desenvolvimento infantil
A exposição prolongada está associada ao aumento do risco de mortalidade, especialmente por doenças cardiorrespiratórias.
Os efeitos da poluição do ar não ocorrem de forma homogênea. Alguns grupos apresentam maior risco de adoecimento:
- Crianças
- Pessoas idosas
- Gestantes
- Pessoas com doenças respiratórias e cardiovasculares
- Populações expostas a condições ambientais e sociais desfavoráveis
Esses grupos podem apresentar maior sensibilidade aos efeitos da poluição do ar, com maior risco de agravamento de doenças e maior demanda por serviços de saúde.
Em períodos de piora da qualidade do ar, especialmente durante a seca e estiagem, quando se observa o aumento de queimadas e incêndios florestais, recomenda-se a adoção de medidas de proteção para reduzir os riscos à saúde:
- Evite atividades físicas ao ar livre nos horários de maior concentração de poluentes;
- Permaneça em ambientes internos;
- Mantenha portas e janelas fechadas em locais com presença de fumaça;
- Aumente a ingestão de líquidos;
- Redobre a atenção com pessoas em situação de vulnerabilidade;
- Em caso de sintomas ou agravamento de doenças, procure atendimento em um serviço de saúde;
- Acompanhe informações e alertas emitidos por órgãos oficiais sobre a qualidade do ar e a ocorrência de queimadas.
A Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos (Vigiar), coordenada pela Coordenação-Geral de Vigilância em Saúde Ambiental (CGVAM), no âmbito do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador (DVSAT), da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), do Ministério da Saúde, é um componente da Vigilância em Saúde Ambiental (VSA) voltado à análise integrada de dados ambientais e de saúde para subsidiar a tomada de decisão no Sistema Único de Saúde (SUS).
Seu objetivo é proteger e promover a saúde da população por meio da identificação de territórios prioritários, monitoramento de exposições e apoio à implementação de ações de vigilância.
Principais atuações
- Integração de dados ambientais e de saúde
- Identificação de populações expostas e em situação de vulnerabilidade
- Monitoramento de agravos relacionados à poluição do ar
- Apoio à gestão e planejamento no SUS
- Articulação intersetorial
- Elaboração de recomendações e orientações à população
Áreas prioritárias
- Queimadas e incêndios florestais
- Regiões metropolitanas e cidades
- Áreas industriais
- Poluição intradomiciliar
- Mudanças climáticas e eventos extremos
As intoxicações exógenas por inalação de fumaça de queimadas e incêndios florestais devem ser notificadas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), conforme orientações do Ministério da Saúde.
As informações desta página têm caráter orientativo e visam apoiar a compreensão dos efeitos da poluição do ar sobre a saúde. Para orientações específicas, recomenda-se consultar os serviços de saúde e os materiais oficiais do Ministério da Saúde.